
10.03.10 - 19:00
O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) elegeu hoje (10) o novo
presidente da Corte, o ministro Cezar Peluso, para um mandato de dois
anos. Pelo regimento, disputaram a presidência e a vice-presidência os
dois ministros mais antigos ainda não eleitos. A vice-presidência será
ocupada por Carlos Ayres Britto. A posse está marcada para 23 de abril.
Peluso disse que a função que assumirá se limita a ser um porta-voz
das decisões da Corte. Em um breve discurso, depois de anunciado o
resultado da votação, Peluso ele que a regra que impõe a eleição do
ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o cargo de presidente
preserva o STF de pressões. De perfil discreto, porém firme, Antonio Cezar Peluso tem 42 anos de
magistratura. Primeiro ministro nomeado pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, uma escolha considerada técnica, assumiu uma vaga no STF
em junho de 2003. Desde então, tem defendido a Constituição com rigor. Como relator do pedido de extradição do italiano Cesare Battisti, o
ministro considerou ilegal o refúgio concedido ao ex-ativista político
pelo governo brasileiro e apresentou um voto de 151 páginas a favor da
extradição. Foi acompanhado por outros quatro ministros na extradição,
mas foi vencido quando o Supremo decidiu que o presidente da República
pode não seguir a decisão da Corte. “A lei determina fundados temores de perseguição. A insinuação de
que o Estado italiano, para reprimir o movimento, se valeu de leis de
exceção não pode ser considerada causa atual de perseguição. O regime
na Itália não é arbitrário hoje”, disse Peluso, no julgamento ao
considerar o refúgio a Battisti ilegal. Adepto da máxima de que “juiz fala nos autos”, Peluso deve imprimir
em sua gestão uma postura reservada com a imprensa. Aos jornalistas já
avisou que dará declarações apenas em questões institucionais. Além do comando das sessões no plenário, cabem ao presidente do STF
as decisões consideradas urgentes nos períodos de recesso ou de férias,
como pedidos de liminar protocolados na Corte neste período. Dos 11 ministros, é necessária a presença de oito em plenário para
que a eleição ocorra. Segundo a Constituição, os ministros são nomeados
pelo presidente da República após aprovação, por maioria absoluta, do
Senado. Os nomeados devem ter entre 35 e 65 anos de idade e possuir
notável saber jurídico e reputação ilibada.