
10.03.10 - 15:53
O presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono,
confirmou nesta quarta-feira, 10, que o último suspeito de ter organizado o
atentado a bomba de Bali em 2002 foi morto pela polícia em Jacarta “Podemos confirmar que um dos suspeitos
assassinados era Dulmatin, um dos terroristas mais procurados no
sudoeste-asiático”, disse Yudhoyono em Camberra, onde está sendo
recebido pelo Primeiro Ministro australiano Kevin Rudd em uma visita de
três dias. Dulmatin era tido como um dos mentores dos
ataques que mataram 202 pessoas, boa parte delas turistas australianos,
na ilha de Bali em outubro de 2002. Ele era o úinico que ainda não
tinha sido capturado. A confirmação de sua morte foi feita durante
uma entrevista coletiva na Austrália, onde o presidente indonésio está
de visita. Kevin Rudd elogiou a ação. Dulmatin foi assassinado em uma perseguição
policial em Jacarta na terça-feira, que resultou na morte de três
suspeitos. A polícia analisou o DNA dos três mortos, e
confirmou que um deles era Dulmatin. A identidade das outras duas vítimas ainda não
foi confirmada pelo governo, mas fontes do jornal Jakarta Post
disseram se tratar dos militantes islâmicos conhecidos como Rikwan e
Hasan Nur.
Último Dulmatin era especialista em eletrônicos e tido
como o último suspeito envolvido no atentado de Bali, o único que
nunca foi capturado, apesar de estar sendo procurado desde 2003. Ele supostamente teria ajudado a montar as
bombas utilizadas no atentado, uma mochila com explosivos e um
carro-bomba. Dulmatin era um dos homens mais procurados pela
polícia da Indonésia e autoridades estrangeiras. Ele estava foragido
desde o atentado e chegou a se esconder em outros países da região,
como as Filipinas, onde recebeu proteção de milícias islâmicas
rebeldes. Segundo o Departamento de Estado
Norte-americano, Dulmatin pertencia ao grupo Jemaah Islamiyah, tinha
conexões com a Al-Qaeda e passou por campos de treinamento no
Afeganistão. No site rewardsforjustice.net, que
está ligado ao Departamento de Estado dos Estados Unidos, uma
recompensa de US$ 10 milhões estava sendo oferecida pela captura de
Dulmatin.
Acusados Ao todo, outros seis homens foram acusados de
causar o atentado de Bali. Os irmãos Amrozi bin Nurhasyim e Ali Ghufron
juntamente com Imam Samudra foram condenados à morte em 2003 e
executados por fuzilamento em novembro de 2008. Jhoni Hendrawan foi acusado de envolvimento na
ação em Bali, mas acabou condenado por um outro atentado em Jacarta, e
está preso. Azahari Husin, da Malásia, era suspeito de ter
montado as bombas utilizadas no atentado juntamente com Dulmatin. Ele
foi assassinado em uma perseguição no leste da Indonésia em novembro de
2005. Ali Imron era irmão de Nurhasyim e Ghufro. Ele
também foi julgado e condenado em 2003, porém recebeu a pena de prisão
perpétua, pois confessou o crime e demonstrou arrependimento pelo
atentado. Noordin Top, outro suspeito, morreu em uma
perseguição policial em setembro do ano passado. A identidade dele foi
confirmada após testes de DNA. Aceh A perseguição que resultou na morte de Dulmati
ocorreu enquanto a polícia investigava uma célula terrorista associada a
militantes oriundos da província de Aceh. Aceh, que foi atingida pelo Tsunami em 2004, é,
assim como a maioria da Indonésia, predominantemente muçulmana. A ilha
de Bali, no entanto, é de maioria hindu. A Indonésia é o país com a maior população
muçulmana do mundo. Ao todo, 86% dos cerca de 240 milhões de habitantes
do arquipélago são islâmicos. Há cerca de um mês, a polícia começou uma
caçada por militantes extremistas oriundos de Aceh, depois de descobrir
campos de treinamento de Jihad (guerra santa) na região. Até o momento, a investigação de militantes da
região de Aceh resultou na acusação de 14 pessoas por envolvimento em
conspiração para realizar ataques terroristas. Dentro de duas semanas, o presidente
norte-americano Barack Obama virá à Indonésia e o combate ao terrorismo
é uma das prioridades na agenda da visita.