
08.02.10 - 21:03
A Austrália anunciou que está mudando suas regras de concessão de
residência a estrangeiros, numa medida que pode afetar o fluxo de
imigrantes brasileiros ao país. Segundo o
ministro da Imigração australiano, Chris Evans, a lista de profissões
em falta no país - para os quais os imigrantes podem se candidatar
quando pedem residência permanente - será abolida e a política de
imigração será concentrada em atrair imigrantes com alta qualificação
profissional. "Temos dezenas de milhares
de estudantes cursando culinária, contabilidade e (curso de)
cabeleireiro porque isso estava na lista e permitiu que eles
conseguissem a residência permanente", disse Evans a uma rádio
australiana. As novas prioridades vão
incluir médicos e enfermeiras, além de engenheiros e profissionais da
mineração, setor que encontra dificuldades para atender a crescente
demanda por matéria-prima da China. A
mudança de política se junta a outras medidas introduzidas recentemente
e que marcam um endurecimento na política de imigração do país. Desde o final do ano passado, o governo passou a fazer novas exigências para a concessão de vistos a estudantes estrangeiros. A
renda mínima que um estudante tem que comprovar através de extratos
bancários do seu o países de origem subiu de R$ 19 mil para R$ 29 mil
por ano - uma média de R$ 2.500 por mês. Ao
solicitar o visto nas representações consulares australianas, além de
apresentar os extratos bancários, os estudantes têm que apresentar
documentos como matrícula em universidade ou comprovante de trabalho
fixo, para provar que tem vínculo com o país de origem e condições
financeiras de se sustentar na Austrália. O
Brasil é o sexto país que mais envia estudantes anualmente para a
Austrália, atrás da Índia, China, Nepal, Coreia do Sul e Tailândia,
respectivamente. Segundo dados do
Departamento de Imigração, no último ano 12 mil brasileiros vieram
estudar na Austrália. No mesmo período, houve um aumento de 20% no
número de pedidos de visto por brasileiros rejeitados por embaixadas e
consulados australianos. De acordo com
autoridades de imigração, esta rejeição se deve a um cuidado maior das
autoridades, preocupadas com o alto número de pedidos fraudulentos. Segundo
Sandi Logan, porta-voz do Departamento de Imigração australiano, desde
o segundo semestre de 2009 foram recrutados especialistas em
verificação de fraudes para checar documentos de estudantes vindos do
Brasil, Índia, Ilhas Maurício, Nepal, Zimbábue e Paquistão. “Com
a ajuda de especialistas, detectamos um alto índice de fraudes nas
documentações submetidas por cidadãos desses países”, disse Logan em
entrevista à rádio australiana SBS.