
08.02.10 - 19:25
O ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF)
e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o governador do Rio de
Janeiro, Sérgio Cabral e o presidente do Tribunal de Justiça do Estado,
lançaram hoje no Rio o Programa Preso Zero, que tem como meta retirar
os presos das delegacias policiais. O primeiro convênio será com o
Estado do Rio que, segundo Cabral, deverá atingir esta meta até o final
do primeiro semestre de 2011.
Segundo o governador, "já
temos muita licitação nas ruas para construção de casa de custódias e
delegacias, posso garantir que com todos os atrasos que possam ocorrer
vamos chegar ao final de 2010 com o menor porcentual disparado e,
certamente, até o primeiro semestre de 2011 não haverá mais presos em
delegacias do Rio de Janeiro. É um marco civilizatório de fato".
Mendes,
que ontem foi a Vitória (ES) discutir com o governador Paulo Hartung
(PMDB) a implantação do mesmo projeto naquele Estado, explicou que o
CNJ estima que estejam em delegacias e carceragens policiais cerca de
10% dos 470 mil presos existentes no Brasil. Ele diz ser necessário
"trabalhar bastante para a construção de carceragens e casas de
custódias adequadas para liberar espaço nas delegacias".
Os
três também assinaram convênio do projeto Começar de Novo, pelo qual o
Estado se compromete a fornecer condições a presidiários para que eles
consigam trabalho e deixem de reincidir no crime. Gilmar Mendes
defendeu o uso da mão de obra operária na construção dos estádios de
futebol para a Copa de 2014.
O presidente do CNJ
insistiu na necessidade de reduzir o numero de presos provisórios no
País, que beira os 206 mil. "Queremos reduzir isto, mas não na
perspectiva de libertá-lo necessariamente, e sim na perspectiva de
eventualmente transformá-los em presos cumprindo sentença definitiva,
dando um ritmo adequado à Justiça Criminal. Queremos ter redução em 20%
com sentença, apressando o processo e evitando que depois acabe
ocorrendo os pedidos de habeas corpus por demora no prazo do
julgamento", explicou.