
08.02.10 - 18:32
O embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, afirmou nesta
segunda-feira (8) que o governo iraniano confia na posição
brasileira sobre o anúncio do presidente Mahmoud Ahmadinejad de
que o país irá enriquecer urânio em 20%. A medida gerou reações
contrárias a Teerã pelo mundo. “Nós confiamos no Brasil. Acreditamos que as
autoridades brasileiras têm conhecimento da situação e posição
iraniana. O Brasil, pelo contrário de outros países que tiveram
fortes reações, não é um país que pensa em colonizar outro
país”, disse o embaixador em entrevista coletiva, em Brasília.
No
dia 23 de novembro de 2009, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva recebeu no Brasil o presidente iraniano Mahmoud
Ahmadinejad, em uma visita polêmica que foi acompanhada com
atenção pela comunidade internacional. Em seu discurso,
ao lado de Ahmadinejad, Lula disse reconhecer o direito iraniano
de executar seu plano nuclear para fins pacíficos e afirmou que
o “Brasil sonha com um Oriente Médio” livre de armas do gênero. "Reconhecemos o direito do Irã de desenvolver um programa
nuclear com fins pacíficos e com respeito aos acordos
internacionais e esse é o caminho que o Brasil vem trilhando.
Não proliferação e desarmamento nuclear devem andar juntos. O
Brasil sonha com um Oriente Médio livre de armas nucleares, como
ocorre na América Latina", disse Lula.
Tecnologias para fins pacíficos
Shaterzadeh acrescentou que assim como o Brasil, que é um país em
grande estágio de desenvolvimento, o Irã busca tecnologias para
fins pacíficos. “Os países como Brasil e Irã não querem usar
energia nuclear para produzir armas. A energia nuclear no Irã
como o Brasil é para a área de medicina, agricultura. Esse é o
direito de aproveitar da tecnologia para o bem estar da
população”, explicou. O embaixador não poupou as grandes potências, que, segundo ele,
são países que criticam constantemente qualquer medida do Irã.
“Os que tiveram grande reação têm fortes armamentos nucleares.
Se eles falassem a verdade, primeiro eles destruiriam o
armamento nuclear deles e depois dariam conselhos”, desafiou.
Urânio enriquecido
“O Irã esperou, provou que esses países ocidentais estão
mentindo, não foram sinceros. Portanto, o Irã mesmo começando a
produzir urânio enriquecido em 20% também está disposto a
comprar, não desrespeitou nenhuma regulamentação internacional.
Esse trabalho respeita a agencia internacional de energia
atômica”, enfatizou o embaixador.
Segundo ele, em breve o mundo saberá do resultado
do enriquecimento. “O Irã conforme leis internacionais está
fazendo o que é direito dele.”
Data Nacional do Irã
A entrevista coletiva foi convocada pelo embaixador para falar
sobre as comemorações da data nacional do Irã. No próximo dia
11, o Irã vai comemorar o aniversário de 31 anos da revolução
islâmica. Mohsen Shaterzadeh ressaltou o papel estratégico de
Brasil e Irã no mundo globalizado.
“Podemos prever desde já que o futuro se passa nos
países independentes, que estão indo nesse caminho. O futuro
está baseado na energia. Irã e Brasil são dois países com
grandes recursos naturais e, desde já, e até futuro terão grande
papel internacional”, destacou. “Podemos prever desde já que o
futuro se passa nos países independentes, que estão indo nesse
caminho. O futuro está baseado na energia.”
De acordo com o embaixador, o número de estudantes
iranianos passou nos últimos anos de 100 mil para 3,6 milhões,
sendo que 65% dos universitários são mulheres. Segundo ele, a
idade média dos cientistas iranianos é de 28 anos. “Isso
demonstra que o Irã de hoje está nas mãos dos filhos desse país,
que o estão construindo para o futuro”, disse.
Defesa
O embaixador afirmou que 95% dos produtos usados na indústria de
defesa do Irã são produzidos no próprio país, que, segundo ele,
é atualmente a 16ª economia do mundo.