
Naquele verão distante, o adeus estendera seu domínio sobre todas as palavras do dicionário. Ele vinha na ladainha das ondas, na borda das taças, no hálito da maresia. Soltos, praia afora, pressentíamos que no outono seríamos folhas levadas pelo vento. No ritual dos hidratantes, o barco de minhas mãos navegava por costas de dourada nudez. Um amor ansioso entrelaçava dois corpos cúmplices no naufrágio. O adeus habitava nosso silêncio qual a ostra sua concha. Mas não permitíamos que o sal das lágrimas turvasse o esplendoroso escândalo da paisagem. Veleiros sem âncoras, entregues aos ventos, singrávamos revôltas mágoas. Na solidão da noite, a lua-nova inaugurava passarelas de prata para insones sereias. Por desertas extensões esperávamos que a maré trouxesse a estrela-do-mar. E o vôo das gaivotas agitava brancos lenços em prenúncios de despedida. Naquele verão distante, “havia um mar de amor dentro de mim.”
